Enquanto bombeiro descia painel, foi possível constatar que seria colocado prikeiro o da fachada da frente da loja. Foto: MANOEL MESSIAS/Agência

Polícia Civil vai investigar acidente que matou ‘Vertim’ e Valério com descarga elétrica

ANDRADINA – A Polícia Civil vai apurar, através de inquérito, as causas do acidente que matou o comerciante do ramo de publicidade, Everton Inácio Batista, o “Vertim”, proprietário da empresa VC Publicidade Comunicação Visual e o pintor Valério Gonçalves Lopes, 39, vítimas de descarga elétrica ocorrida no final da tarde do último dia 2, quando instalavam um painel na empresa Brunelli Ferragens e Elétrica, localizada no cruzamento das ruas Jesus Trujillo com José Augusto de Carvalho, centro. O procedimento foi informado pelo delegado Tadeu  Aparecido Carvalho Coelho, titular do 1º Distrito Policial.

Tudo indica acidente de trabalho, mas não sabemos e por isso a necessidade de investigar conversas informais de que uma das vítimas nem fazia parte do quadro de funcionários da empresa responsável pela instalação do painel. É praxe esse procedimento”, disse o delegado.

Disse ainda que foram feitos os mesmos procedimentos nos acidentes que aconteceram no Curtume Andradina, onde morreram três mulheres e na Citroplast, onde também morreram três homens.

Tadeu antecipou para a imprensa que a investigação vai focar principalmente se as pessoas, vítimas fatais ou não, estavam usando equipamentos de proteção necessários, os chamados EPI (Equipamentos de Proteção Individual), o responsável pela empresa onde seria instalado o painel e o compromisso firmado com o cliente.

“É preciso apurar responsabilidades a respeito do uso de equipamentos de proteção individual e ao que parece não eram utilizados quando ocorreu o acidente”, acrescentou o delegado. Ele informou que os trabalhos tem trinta dias para conclusão.

A TRAGÉDIA

A tragédia ocorreu pouco depois das 18, no cruzamento da José Augusto de Carvalho com a rua Jesus Trujillo, centro, quando as vítimas e o serralheiro Everaldo Richart Martins instalavam painéis publicitário da empresa Brunelli Hidráulica e Elétrica.

O painel com estrutura de metalão tocou (ou se aproximou demais) da rede de alta tensão e causou a descarga fatal. Segundo informações técnicas, a tensão daquela rede superior é de 13.800 volts.

A reportagem perguntou para técnicos em eletricidade sobre a questão de ter tocado ou não na referida rede e eles informaram que não é necessário acontecer isso para haver a descarga elétrica. Em uma distância inferior a 60 centímetros já há um grande risco de isso acontecer, já que o ferro da estrutura metálica é um grande condutor de energia, assim como a escada, informaram.

Valério despencou da escada que estava, em uma altura de aproximadamente 10metros, pois era o que sustentava o meio da estrutura, bateu violentamente a cabeça na calçada. A pancada foi tão forte que literalmente ‘explodiu’ a cabeça da vítima. Cogita-se que o pintor já tenha sofrido consequências irreversíveis quando do choque e, mesmo que ainda estivesse com sobrevida, teria morrido em consequência do tombo.

“Vertim” permaneceu caído no telhado da empresa em parada cardiorrespiratória, recebendo as primeiras massagens cardíacas do serralheiro Everaldo, que, por incrível que pareça, nada sofreu. Ele disse que percebeu quando a vítima parou de respirar ainda sobre o telhado. Quando os bombeiros chegaram ainda tentaram por aproximadamente meia hora todos os procedimentos para reanimação, porém, ao ser encaminhado ao pronto socorro, teve a morte atestado pelo médico plantonista.

FACHADA FRONTAL

Ao contrário do que se pensava até recentemente, os três trabalhadores não tentavam colocar o grande painel na parede lateral da loja de ferragens e material elétrico.

Eles subiram sim o painel pela lateral da rua José Augusto de Carvalho e, depois de acomoda-lo sobre o telhado, tentavam manobra-lo para deixar ajeitado na fachada frontal da loja Brunelli, quando aconteceu a tragédia. Não se sabe se o painel tocou ou se aproximou em uma distância abaixo de 60 cm da rede de energia com 13.800 volts, recebendo a potente descarga elétrica.   

O croqui apresentado pela VC Publicidade é bem claro sobre isso, que o painel a ser colocado primeiro era o da frente da loja, porém, nãos e sabe porque, não foi solicitado que se desligasse a rede, se usasse um guincho ou roupas especiais de proteção em casos de redes com grande voltagem. Nenhum deles, inclusive o que sobreviveu usavam equipamentos de proteção individual (EPI).

MIL NOTICIAS/Agência

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