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Líder espiritual que dizia ter ‘poderes superiores’ é preso suspeito de cometer estupros no interior de SP

A Polícia Civil prendeu um líder religioso de 49 anos suspeito de estuprar pacientes durante sessões terapêuticas em Socorro (SP). As investigações apontam que ele dizia ter ‘poderes superiores’ e que pode ter dopado as vítimas.

SOCORRO – A cidade de Socorro, localizada no interior de São Paulo, foi abalada na segunda-feira, 15, com as denúncias contra o líder espiritual Jessey Maldonado Monteiro, de 49 anos, acusado por 14 mulheres de praticar abusos sexuais durante sessões espirituais.

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O suspeito foi preso na última segunda-feira (15/1) acusado de abuso sexual durante sessões espirituais. Foto: Redes Sociais

Foto: Polícia Civil/Divulgação

Foto: Polícia Civil/Divulgação

O homem teria cometido os crimes em um terreiro, em um consultório na casa dele, além da Santa Casa de Misericórdia, onde trabalhava como técnico de raio-X. Entre as vítimas estaria uma menor de idade.

Até sexta-feira (12), seis mulheres haviam prestado depoimento e outras três devem ser ouvidas nos próximos dias. A suspeita, porém, é de que ele tenha feito dezenas de vítimas desde, pelo menos, 2017.

Confira abaixo o que se sabe sobre o crime:

Como as vítimas eram atraídas?

De acordo com a polícia, o homem contava com a ajuda de uma suposta mãe de santo, que indicava os serviços dele. Dessa forma, se aproveitava da fragilidade das vítimas que procuravam o centro religioso em busca de suporte espiritual para atraí-las. A polícia não detalhou se a mulher também foi presa.

Segundo a apuração, o homem usava o espaço religioso para ganhar a confiança das pessoas, especialmente mulheres. Depois, se descrevia como uma pessoa com poderes superiores, capaz de curar dores físicas e emocionais, e indicava terapias de regressão, quiropraxia, ozonioterapia, hipnose e massagens. Cada sessão custava em torno de R$ 150.

Ele dopava as vítimas?

Conforme o relato das pacientes, o homem oferecia um copo d’água antes de iniciar as sessões, com a desculpa de que “a água é uma condutora elétrica essencial para a terapia”. Muitas vítimas ainda teriam dito que, no momento dos abusos, ficaram sonolentas, sem força, e que não conseguiam reagir.

A investigação não descarta a possibilidade da água ter algum remédio e destaca que o suposto terapeuta também usava técnicas de hipnose. Além disso, as mulheres eram induzidas a tirar a roupa, mediante argumentos religiosos e medicinais, e tinham os corpos cobertos por uma quantidade exagerada de óleo.

Quantas mulheres foram vitimadas?

Há indícios de que o homem esteja cometendo esses crimes desde, pelo menos, 2017. Depois que uma das mulheres desconfiou da conduta do terapeuta, abriu um grupo de vítimas no WhatsApp. Segundo a Polícia Civil, são ao menos 20 integrantes até o momento, sendo que nem todas prestaram queixa até o momento.

Prisão e apreensão:

Além do mandado de prisão preventiva, os agentes também apreenderam na casa do suspeito, em Amparo (SP), um celular, aparelhos de mídias, remédios, brinquedos sexuais, seringas, várias munições e duas armas de fogo, sendo uma delas ilegal. Por esse motivo, ele também deve responder por porte ilegal de arma.

A operação recebeu o nome de ‘João de Deus Socorrense’, em referência ao médium João Teixeira de Faria, condenado a quase 100 anos por crimes sexuais em Abadiânia (GO).

O que diz a Santa Casa

Em nota, a Santa Casa de socorro disse que “está totalmente surpresa com os últimos acontecimentos envolvendo o Sr. J. M. M., e que não tinha qualquer conhecimento sobre os casos de abuso sexual supostamente cometidos por ele”.

A entidade ainda manifesta encarecidamente a sua solidariedade às eventuais vítimas. “No mais, se coloca inteiramente à disposição das autoridades para auxiliar no deslinde da questão, caso seja necessário”.

Defesa

A defesa do suspeito informou, em nota, que não vai se manifestar sobre o caso, pois os autos estão em segredo de justiça.

Os advogados pretendem recorrer à prisão preventiva para que Jessey responda às denúncias em liberdade.

Fonte: atanews.com.br

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