Quatro haitianos foram baleados em bar, em março de 2016, em Cuiabá (Foto: TVCA).

Promotor de vendas que atirou em 4 haitianos após obrigá-los a pagarem cerveja vai a júri em Cuiabá

Segundo o processo, crime foi pautado claramente por discriminação aos haitianos. Acusado confessou o crime e está preso na PCE, em Cuiabá.

CUIBÁ/MT – Um promotor de vendas, acusado de tentar matar a tiros quatro haitianos, em Cuiabá, deve ir a júri popular às 13h30 do dia 22 de novembro, no fórum de Cuiabá. De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), Alison Rosa de Moura Silva, de 22 anos, responde pelo homicídio tentado contra Wilex Emile, Annous Sanit Fleur, Hermogene Dieuper e Chelot Petit-homme, em março de 2016, nas dependências do Bar do Haitiano, no Bairro Jardim Eldorado, na capital.

Quatro haitianos foram baleados em bar, em março de 2016, em Cuiabá (Foto: TVCA).

Quatro haitianos foram baleados em bar, em março de 2016, em Cuiabá (Foto: TVCA).

Alison Rosa de Moura Silva confessou o crime e disse que atirou contra as vítimas depois de um dos haitianos ter se recusado a pagar uma cerveja a ele. O acusado está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Naquela época, os haitianos foram hospitalizados e tiveram alta dois dias depois.

Segundo o processo, o réu teria atirado nas vítimas após exigir o pagamento de bebidas alcoólicas para ele mesmo e não ser atendido. O crime teria sido pautado claramente por discriminação aos haitianos, sendo praticado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas.

Consta nos autos que as vítimas Wilex Emile, Annous Sanit Fleur, Hermogene Dieuper e Chelot Petit-homme, estavam no estabelecimento, local onde ingeriam bebida alcoólica.

Alison chegou no estabelecimento e se aproximou de Wilex Emile, dizendo-lhe para pagar o valor da bebida alcoólica, sendo que a vítima realizou o pagamento. Depois disso, o acusado retornou ao local e pediu novamente que a vítima lhe pagasse outra bebida, o que foi negado por Wilex.

Inconformado, Alison passou a discutir com o haitiano, chegando a dizer “tá me tirando na minha terra, haitiano filho da p*, vai tomar no c*”.

“Cabe ressaltar que a conduta do denunciando, ao exigir o pagamento de bebidas alcoólicas para si, como de costume, pautou-se, claramente, na discriminação às vítimas, por serem originárias do Haiti”, consta trecho do processo.

Ainda de acordo com a denúncia, Alison retornou ao bar e deixou clara a intenção que mataria as vítimas, chegando a dizer ‘vou matar todos os haitianos’. Ele fez diversos disparos e fugiu em seguida.

Depois dos atos de violência contra os estrangeiros, o conselheiro da Embaixada do Haiti no Brasil, Jackson Bien Aimé, foi até Cuiabá para acompanhar as investigações da polícia sobre os crimes contra haitianos.

G1

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