Soldados amotinados disparam para o alto em Bouake, nesta segunda (Foto: Issouf Sanogo/AFP).

Em meio a motim militar, Costa do Marfim tem empresas fechadas

Soldados estão em disputa salarial com o governo do país.

Muitas empresas fecharam operações no principal porto da Costa do Marfim, em Abidjan, na segunda-feira (15), em meio ao agravamento de um motim militar e a decisão da associação bancária de fechar as agências, disseram exportadores de commodities que operam no local à agência Reuters.

Soldados amotinados disparam para o alto em Bouake, nesta segunda (Foto: Issouf Sanogo/AFP).

Soldados amotinados disparam para o alto em Bouake, nesta segunda (Foto: Issouf Sanogo/AFP).

Soldados em rebelião fizeram disparos nas duas maiores cidades da Costa do Marfim, desafiando uma ordem do governo de abaixar suas armas. Os amotinados bloquearam estradas fora de um quartel em um bairro importante de Abidjan, que é considerada a capital econômica do país (a capital política oficial é Yamussucro).

Os amotinados pediram em janeiro prêmios individuais de 12 milhões de francos CFA (18.000 euros), somas consideráveis no país africano. No mesmo mês receberam 5 milhões (7.500 euros) e o governo lhes prometeu que pagaria os 7 milhões restantes em vários pagamentos a partir de maio.

Na quinta-feira, um representante dos soldados anunciou que eles renunciavam as suas reivindicações financeiras, durante uma cerimônia na presença do presidente Alassane Ouatara, que pareceu colocar um ponto final ao motim.

Mas, longe de acalmar a situação, esta cerimônia provocou uma nova onda de protestos neste país da África ocidental, que sofreu as consequências da queda dos preços do cacau, um produto vital para sua economia, e do qual é o primeiro produtor mundial.

As forças pró-governo estão se dirigindo para a segunda maior cidade, Bouaké, onde ocorrem tiroteios pelo quinto dia consecutivo. Comércios de cacau, bancos e prédios do governo de Daloa, reduto de cacau na Costa do Marfim, também fecharam as portas nesta segunda-feira, segundo moradores, em meio a tiroteios relacionados ao motim militar.

“Todo o comércio está fechado aqui em Daloa. Os bancos estão fechados e também as empresas de compra de cacau”, disse Aka Marcel, um gerente de cooperativa de agricultura em Daloa. “Os soldados estão nas ruas a pé e em motos. Eles estão atirando para o alto”.

A associação de bancos da Costa do Marfim, a APBEF, pediu que todos os bancos da nação do oeste da África permaneçam fechados nesta segunda.

“Houve uma reunião de emergência nesta manhã e a APBEF decidiu que, por razões de segurança, todos os bancos vão continuar fechados”, disse uma autoridade do Banque Atlantique, que quis se manter anônima, à Reuters.

G1

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